Um resultado surpreendente saiu na tarde de sexta-feira, 20 de março de 2026: a Polícia Federal é hoje a instituição mais confiada pelos brasileiros, deixando bem para trás governos e parlamentos. A informação veio em uma nova pesquisa divulgada pela consultoria AtlasIntel em parceria com o jornal Estadão. A diferença entre quem usa a farda e quem veste o terno político é gritante.
O levantamento ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 de março, cobrindo todo o território nacional. A Polícia Federal tirou a melhor nota, com 56% de avaliações positivas. Na sequência, Polícia Civil e Militar empataram com 55%. É estranho, mas faz sentido no contexto da segurança pública recente. Enquanto isso, o Congresso Nacional caiu a pique, parando em apenas 9% de confiança. O pior índice registrado.
Aqui está a coisa curiosa: o povo parece confiar muito mais no que pune crimes do que no que faz leis. Quando olhamos para o topo da tabela, vemos que as forças de segurança dominam o triplex. Não é só sobre prender criminosos, é sobre a percepção de controle e ordem em tempos turbulentos. A Igreja Católica apareceu em quarto lugar, com 49%, mostrando que valores tradicionais ainda têm peso, embora menor.
Já a base política da república, onde deveríamos ver força institucional, mostra rachaduras profundas. O Governo Federal tem 37% de confiança, mas a desconfiança bateu 59%. Ou seja, quase duas vezes mais gente que critica do que aprova. O Supremo Tribunal Federal (STF) também sofre, com 35% de aprovação e 59% de rejeição. É um dado que assusta analistas de políticas públicas.
Vamos abrir o baú dos números porque eles contam a história completa. Além das polícias mencionadas, o Banco Central se posiciona na casa dos 45%, seguido pelo Tribunal Superior Eleitoral com 42%. Note que essas instituições técnicas ainda mantêm algum crédito perante a população. As Forças Armadas ficam com 27% de confiança, um número preocupante dado o histórico de autoridade militar no país.
Porém, o verdadeiro vilão deste cenário é o Legislativo. Com 9% de confiança, o Congresso Nacional registrou o pior desempenho já captado pela metodologia desta empresa de pesquisa. Para entender, é preciso lembrar que a maioria absoluta dos entrevistados disse não confiar no Parlamento. Isso cria um vácuo de legitimidade democrática difícil de preencher sem reformas estruturais ou mudanças drásticas de comportamento dos representantes.
Eis o ponto que muitos ignoram nos jornais: confiança não é só popularidade passageira. É combustível para governança. Se as pessoas confiam na polícia, elas tendem a obedecer mais às regras de trânsito e denunciar mais crimes. Mas se não confiam no congresso, a adesão às leis tributárias e à representatividade cai. O risco de desobediência civil aumenta quando a figura do governante perde prestígio.
Somos em um momento crítico. A pesquisa cobre o período de março de 2026, um ano eleitoral complexo em Brasil. Líderes políticos sabem disso. Sem essa confiança mínima, qualquer projeto de reforma vira batalha perdida nas urnas futuras. E a percepção negativa sobre o STF e o Governo Federal sugere que a polarização continua aquecida, independente do partido no poder.
Precisamos ser claros sobre a metodologia para não acharmos que isso é chumbo grosso. O estudo usou questionários online aplicados entre 16 e 19 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança estatística de 95%. Há uma leve divergência nas fontes primárias — algumas notas indicaram 2.090 respondentes, enquanto um vídeo correlato citava 2.900. Vamos ficar com a base documental oficial: 2.090 brasileiros ouvidos.
Ainda assim, pesquisas como essa geram debate sobre amostragem digital. Será que quem responde online representa fielmente quem não tem internet? Provavelmente não totalmente, mas reflete a parcela da sociedade economicamente ativa e conectada, que muitas vezes dita as agendas políticas e econômicas. A pesquisa analisou 13 instituições no total, criando um termômetro amplo do humor nacional.
Acredita-se que a Polícia Federal tenha maior visibilidade operacional e resultados tangíveis na repressão ao crime organizado, enquanto o Governo Federal enfrenta problemas abstratos como inflação e burocracia. Além disso, investigações recentes contra corrupção podem ter beneficiado a imagem da agência federal.
A AtlasIntel informou uma margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança estatística de 95%. Isso significa que, se a pesquisa fosse repetida, os resultados deveriam variar minimamente dentro dessa faixa.
Embora a insatisfação com o Legislativo seja recorrente, o índice de 9% é alarmante e situa-se historicamente abaixo da média de pesquisas anteriores da mesma organização, indicando um desgaste agudo na representação popular.
Foram analisadas 13 instituições nacionais, variando de órgãos públicos como o Banco Central e o STF até setores religiosos como a Igreja Católica e forças de segurança estaduais e federais.