A Banco do Brasil anunciou, na sexta-feira, 23 de agosto de 2024, que vai colocar R$ 1,065 bilhão no bolso de seus acionistas. O montante refere-se à remuneração antecipada relativa ao terceiro trimestre de 2024, o que representa um pagamento de R$ 0,1866 por ação. O dinheiro deve cair nas contas no dia 27 de setembro de 2024, mas há um porém: quem estiver com o cadastro desatualizado terá o pagamento retido até regularizar a situação.
Mas não se engane pelo otimismo dos dividendos. Enquanto a instituição distribui lucros, ela enfrenta bastidores turbulentos com disputas bilionárias que envolvem aposentados e decisões judiciais severas. É aquele cenário clássico do setor financeiro: de um lado, a máquina de dividendos funcionando; do outro, o peso de processos que podem custar caro.
A situação complica-se quando olhamos para a Previ, o fundo de previdência dos funcionários do banco. A briga gira em torno de uma transferência de R$ 7,5 bilhões feita para o banco, fruto de um acordo firmado lá em 2010. Na época, a Previ transferiu metade de R$ 15 bilhões em ganhos acumulados de planos de aposentadoria para a instituição financeira.
O problema? Cerca de 85 mil participantes dos planos de previdência não ficaram nada satisfeitos. Eles alegam que a divisão desses lucros violou requisitos legais e entraram na justiça pedindo a restituição dos valores. A sensação dos aposentados é de que foram passados para trás por um acordo que, segundo as petições, foi comunicado de forma "parca, obscura e rápida".
A Justiça não foi condescendente. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) inicialmente decidiu contra a Previ e o Banco do Brasil. Para piorar a situação da instituição, em 2017, o sistema judiciário anulou a resolução do acordo, apontando a existência de "graves ilegalidades" na transação. É um rombo jurídico que ainda ecoa nos balanços da entidade.
Enquanto o gigante federal lida com a Previ, outro player do cenário bancário, o Banco de Brasília (BRB), está movendo peças no tabuleiro de ativos. Em uma jogada de reestruturação estratégica, o BRB assinou um memorando de entendimento com a Quadra Capital para vender até R$ 15 bilhões em ativos vinculados ao Banco Master.
A engenharia financeira aqui é interessante: o BRB deve receber entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões à vista no ato da venda. O restante, que pode chegar a R$ 12 bilhões, será convertido em cotas subordinadas de um fundo de investimento. Na prática, o BRB está trocando ativos por liquidez imediata e apostando na monetização futura dessas cotas no mercado secundário.
Para além dos dividendos e processos, é preciso entender que o Banco do Brasil funciona quase como o "departamento financeiro" da União. A instituição é a espinha dorsal para a distribuição de verbas fundamentais, como as do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica).
O fluxo funciona assim: o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) gerencia as transferências, e o Banco do Brasil abre as contas automaticamente para que o dinheiro chegue às redes públicas de ensino. Isso acontece com base no censo escolar do ano anterior. Também passa por ali o Salário-Educação, aquela contribuição social que as empresas pagam sobre a folha de salários.
Mas nem tudo são flores na gestão pública. Vale lembrar que, durante a administração de Dilma Rousseff, houve relatos de atrasos em transferências de R$ 8 bilhões destinados a produtores rurais. Esse episódio reflete como a eficiência do banco muitas vezes fica refém da saúde fiscal do governo federal, impactando desde o agronegócio até repasses do FGTS.
O mercado agora observa se a distribuição de R$ 1,065 bilhão em dividendos será ofuscada por eventuais novas condenações judiciais referentes à Previ. Para o acionista, o curto prazo é lucrativo, mas o risco jurídico de longo prazo é um fator que não pode ser ignorado.
Já no caso do BRB, a venda de ativos para a Quadra Capital serve como um termômetro para a recuperação da instituição. Se a monetização das cotas subordinadas for bem-sucedida, podemos ver um movimento similar em outros bancos regionais tentando limpar seus balanços de ativos tóxicos ou de baixa liquidez.
O pagamento de R$ 0,1866 por ação será feito no dia 27 de setembro de 2024. O crédito ocorrerá via conta corrente, conta poupança (Poupança-Ouro) ou poderá ser retirado em espécie. É fundamental que seus dados cadastrais estejam atualizados para evitar que o valor seja retido pelo banco.
A disputa envolve a transferência de R$ 7,5 bilhões da Previ para o Banco do Brasil em 2010. Aposentados alegam que a divisão de lucros foi irregular e obscura, buscando a restituição dos valores. O STJ e outras instâncias judiciais já apontaram "graves ilegalidades" no acordo, afetando potencialmente 85 mil pessoas.
O Banco de Brasília está alienando até R$ 15 bilhões em ativos ligados ao Banco Master. A operação prevê um pagamento imediato de até R$ 4 bilhões, enquanto o restante será convertido em cotas de um fundo de investimento gerido pela Quadra Capital, visando melhorar a liquidez do BRB.
O Banco do Brasil atua como o agente operador financeiro, abrindo contas e distribuindo os recursos do Fundeb e do Salário-Educação. O FNDE é quem gerencia os valores, mas a infraestrutura de pagamento e a movimentação bancária para as redes de ensino público dependem da operação do BB.